sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A "vitória" nossa de cada dia!

 O que consideramos como vitória humana? Onde está o real sentido da vida?!  Vivemos no mundo do faz-de-conta? Permitimos que a intensidade de sentimentos múltiplos habitem em nós? Ou o medo, o receio, e a dúvida acabam nos vencendo? A luz que tanto necessitamos está distante ou  não nos permitimos ser encontrados por ela? E a beleza divina que insiste em fazer morada em nós, aonde colocamos?! Onde se encontra o amor, a alegria?  Acomodamo-nos a viver a superficialidade dos sentimentos.  Estranho, mas preferimos o morno, o frio, o vazio, o talvez. O que fazemos com os sonhos que nos impulsionam? E os desejos que gritam em nossos corações e clamam por concretização, por quê não ouvimos? Perdemos o instante mágico simplesmente por medo de tentar, por medo de perder, de sofrer. Qual está sendo a nossa vitória nesses últimos dias? Não, eu não quero mais essa vida leviana. Queira isso também! Preciso buscar, preciso alcançar, algo em mim fala: Siga em Frente! Contenho infinitos dentro de mim e eles não podem ser submetidos a uma vida irrelevante. Tudo em mim move, nada em mim pára. Não posso sufocar os meus sentimentos. Por isso prefiro o ousado, o arriscado, o intenso. Prefira também! O tempo é fugas, e passa, ah como passa! Uso as palavras de Clarice para que juntos possamos refletir:
 Camila Almeida



"...Olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer a sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gaffe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingénuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer «pelo menos não fui tolo» e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.

Clarice Lispector.

6 comentários:

AC disse...

Ah, a sabedoria intuitiva de Clarice!

Beijo :)

Leca disse...

Flutuei até aqui para...
agradecer...
a sua presença...
em meu Nat King Cole...
Beijos...musicais...
Leca

Priscila Rodrigues disse...

Ótimo post, adorei, muito bem escolhido.

Reflexão é tudo..

Beijão.

Ariana disse...

Clarice Lispector é demais!
Esse texto é maravilhoso, emocionei lendo ele!

Beijos e otima semana pra ti!

André Auke disse...

Reflexões, reflexões, reflexões...
O próprio ato, mesmo sem respostas exatas, já me deixa em um estado mais vivo do que não olhar para as coisas...

Bjs.

Desabafos disse...

Clarisse Lispector também me entenderia.. auhau. Lindo o texto Camilola! *-*