segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A beleza de não saber quem sou...



"Quem eu sou, você só vai perceber quando olhar nos meus olhos, ou melhor, além deles". Clarice Lispector 


Se eu sei dizer quem sou? Estou certa que sim. Segura que não. Mas é provável que as minhas mil e uma maneiras me façam prevalecer na dúvida. Então, talvez.  Sou a beleza estranha da interrogação. O movimento contínuo e infinito. Sou constante, sou instável. Sou a leiga que sabe de tudo. Imploro por intensidades, mas não sei ao certo o que sentir. Há oposição em minhas palavras. Há contrariedade em meus pensamentos. Sei muito bem dos meus sentimentos e estou certa que nada sei deles. Minha verdade é uma só: não sei quem sou, e me permito não saber, embora algo grite dizendo que bem sei.  Eu me exponho bem melhor no silêncio. Sou contrários, sou avessos, verdades restritas, mentiras mal ditas. Sou ousadia, sou timidez. Sou o medo do amanhã, a coragem do hoje, a incerteza do que já se foi. Sou a gargalhada mais escandalosa e espontânea, sou o choro mais sincero e profundo. Tenho o jeito de uma menina e o pensamento de uma super chata idosa. Sou roseira, sou espinho. Sou receio, sou desafio. Por horas, me vejo na necessidade de ser multidão. É que viver em companhia sempre é bom.  Por outras, imploro pela minha solidão. Tempo em que me recolho em mim, para mim, por mim. Incontrolável jeito de não me controlar. Segredos meus que eu nem sei guardar. Experiências, recordações, provações. Sou inacabada. Estou em movimento constante de ir e vir. Em processo de mudança cá estou. Mudança eu sou. Preciso me constituir de belezas, do sagrado. Suprimir o que em mim não serve, extirpar o que é profano. Restituir o que era bom e que por alguma força estranha, se perdeu. Sou tentativa, sou a perda, sou a vitória.  Sou a vontade louca de querer viver e o desejo de querer descansar. Enfim, sou composta pelo o inverso que habita em mim.
E sobre mim é o que eu sei dizer. E sobre mim é o que eu não sei dizer. Meus lados super opostos não se atrevem a dizer quem sou. Sou alguém, um Zé ninguém. Beleza encontrada nos olhos daqueles que sabem me amar. Opinião insulta na boca de quem não me conhece. Acredito que o encanto do ser humano  consiste exatamente nisso: não saber quem é. O mistério divino é loucura para a compreensão humana. Não há o que entender, e sim o que viver. E assim eu sou, assim eu vou... Descobrindo em mim meus avessos e me reconstruindo.
E a única certeza que possuo é que o eterno, este sim, habita em mim. E que eu não caibo nesse mundinho. Não, eu não caibo. Coração bate e implora por algo maior. Força do alto. Fonte do Céu.  Reflexo do meu Criador.  Inspiração que me impulsiona a seguir sempre em frente. Então, eu sigo...


Camila Almeida.

2 comentários:

Bento disse...

O movimento contínuo e infinito.

Assim sou eu.

Parabéns Mocinha. Aprimore cada vez mais o dom da escrita. Vc usa muito bem as palavras.

beijos

Estênio Roberto disse...

A beleza do ser humano é exatamente essa: não saber quem é. O mistério divino é loucura para a compreensão humana. Não há o que entender, e sim o que viver.

Sábias palavras Camila.
Estarei sempre por aqui.
Visite o meu.

Abraço.